sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O moço


É o moço que levanta às cinco horas da madrugada para sustentar seus sonhos. O moço de pouco sorriso e olhar triste. O moço que ninguém vê na correria, o moço da calça jeans e os sapatos gastos.
É o moço da mochila nas costas, do mundo nas costas, do cansaço. O moço sozinho para chegar ao seu objetivo. É aquele moço negro da periferia que atravessa a cidade buscando uma oportunidade.
O moço que fica em silêncio quando é desprezado. O moço que abraça a mãe no almoço de Domingo, é o moço simples que assiste os programas populares e ri um pouco com os amigos para esquecer a dureza da vida.
Viver é uma arte, uma estratégia. Viver é dádiva e dor.
O moço, o motoboy que ganha a vida no trânsito, no sol, na chuva, na garra.
E como é bom chegar em casa são e salvo. É o moço que não tem uma estante de livros, nem conhece Mozart, Antony And The Johnsons – mas ele conhece o rap, que na maioria das letras é o retrato de um lugar, uma vida, um gueto.
É o moço que desconhece as palavras: sexismo, patriarcado, misógino, mas que respeita as mulheres, que viu a mãe sofrer violência e abraçou a causa; não aceita a violência com as demais. E sabe que elas são livres, batalhadoras, amigas.
Vida que desconheço e conheço quando entro no mundo desses moços.
É o moço que quer ser um Mc famoso, é a vontade de desistir que bate tarde da noite.
O moço que puxa o carrinho de papelão enquanto eu observo de dentro do carro, no congestionamento, na pressão.Se precisar, te ajudo irmão.




Sem comentários:

Enviar um comentário