sexta-feira, 3 de abril de 2015

Incredulidade

Eu não encontro outra forma de olhar para esse mundo que transborda prédios, indústrias, corredores, restaurantes granfinos, shoppings e mesmo assim é incapaz de me confortar quando fico confusa questionando todos os amores que vão embora como um trem bala.
Amores platônicos, amores de um olhar na fila do supermercado, amores que aconteceram e foram intensos.
Nas ruas congestionadas, nos elevadores, nas farmácias, boates, feiras, sempre haverá um olhar de desejo, um flerte ou um esbarrão em que o mundo para, e nós com essa velha e doce inocência acreditamos em encontros amorosos iguais a roteiros de cinema.
Roteiros maravilhosamente escritos e dirigidos, mas nesta vida absurdamente real, as cenas de romances ficam cada vez mais frias e meu cérebro elabora muitas perguntas sobre os relacionamentos e as pessoas.
Quando o céu fica cinza e as blusas de lã são retiradas das gavetas; também lembro de como seria perfeito romances no inverno e príncipes que vivem nas páginas dos livros de capa dura.
Então a reflexão fica mais intensa, porque inverno tem fim, a calmaria também, e eu pouco acredito em felicidade - casa de boneca. Logo surgem outras inquietudes que consomem minhas energias,palavras e certamente esqueço o roteiro perfeito.
Sempre que vejo um amor começando, já imagino e sofro com o fim.
Incredulidade de escritor.

terça-feira, 31 de março de 2015

Abraço


Eu queria ser trapezista e ir embora com o circo.
Eu queria era abraçar o mundo. Eu ainda quero abraçá-lo, só que agora disfarço melhor.
Gosto quando o vento da manhã encosta suave nos meus cabelos molhados.
Gosto de olhar pela janela e ver as lojas.
Gosto de ver a vida amanhecendo, as pessoas e seus trajetos.
Abraço o mundo observando.
Abraço o mundo quando danço.
Abraço o mundo quando interpreto.
O mundo me abraça quando estou no palco.
O mundo me abraça quando escrevo.


[ Setembro 2011 ]

sábado, 7 de março de 2015

A vida que escolhi

Deve ser uma conclusão precipitada ou equivocada, deve ser a minha realidade e os longos silêncios: as pessoas menos interessantes, normais, que pouco sonham e principalmente ousam a ponto de vivenciarem a montanha-russa de uma vida tão diferente como a minha; são as pessoas que sempre têm alguém para contarem como o foi o seu dia.
Na escola, olhava para o céu azul limpinho e questionava: é uma imensidão, e eu não serei mais uma nessa jornada.
Ele leu direitinho meus pensamentos nas cartas de tarot (...)



quarta-feira, 4 de março de 2015

Bastidores

O que ficará do tempo? O que ficará no tempo?
A pele não será mais a mesma, o corpo que absorve o cansaço de anos começará a dar sinais de esgotamento.Qual o propósito da vida?
O tempo é diferente para todos nas ruas, na praia,nas tardes silenciosas,noites estreladas.O que você fez com o tempo? O que eu fiz com o tempo ?
Aprendi que disciplina e anotar metas no papel,riscando o que já foi executado; exerce um efeito perfeito e calculado quando nos deparamos com os dias.
Para todo grande êxito,existem muitas escolhas e recusas nos bastidores da VIDA.



segunda-feira, 2 de março de 2015

Meu novo amor do Cinema - A Teoria de tudo

FINALMENTE fui assistir " A teoria de tudo ".
Dentro da sala aproximadamente 15 pessoas, para uma segunda-feira a tarde, estava ótimo. PERFEITO, silêncio.
O Ator Eddie Redmayne me encantou, me enfeitiçou no filme " Sete dias com Marilyn ", passei a ter um desejo acho que sexual por ele ( risos ). É verdade. Há tempos não me apaixonava por um ator de cinema.
No filme, " A teoria de tudo ", Eddie está tão genial, tão incrível e entregue.
Um personagem em que beleza, ego, sex appeal estão descartados, o que eu vi durante quase 2 horas de filme, foi um ator que entendeu seu personagem, vi um ator consciente, com um grande objetivo no subtexto: destacar-se dos demais.
Quanto ao conteúdo do roteiro adaptado, digo que chorei em algumas cenas, e que escrever um livro mesmo debilitado foi o que me calou.
Hoje fico quieta, introspectiva.

Eddie Redmayne,  o Oscar foi mais do que merecido.

domingo, 1 de março de 2015

Tela Mental

Ribeirão Preto, 27 de Fevereiro de 2015

Já passava das 16horas, e muito grata com mais um Job fechado, contrato assinado,eu voltava para a casa.
Atenta ao trânsito, quando começou tocar uma música do Jorge Vercillo no rádio do carro; o sinal fechou e a chuva estava moderada, o que deixou a Avenida Jerônimo Gonçalves e seus coqueiros nostálgica e linda. Enquanto o sinal não abria, o pensamento foi longe, a música embalava a cena, na minha tela mental os desejos viravam realidade.



sábado, 28 de fevereiro de 2015

O poema

Meu falecido tio era vendedor de livros, eu amava ir à casa dele, porque além de ser muito bem tratada e mimada, eu ficava folheando os livros infantis, as enciclopédias caríssimas na época, todos os livros que o tempo permitisse.
Observando meu interesse, ele disse: - Escolhe um livro.
Eu escolhi um livro de Curso Prático de Redação - Língua e Literatura de 256 páginas, e me apaixonei por um poema de Casimiro de Abreu. O primeiro poema que decorei aos dez anos de idade, não para citar, impressionar. Poema que eu decorei para a vida.


" Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais ! (...) "


[ Trecho do poema: Meus oito anos – Casimiro de Abreu ]