domingo, 19 de julho de 2015

sábado, 11 de julho de 2015

Ensolarada

Era engraçado, era até um alívio viver em seu mundo e não ter que aturar pessoas, situações.
Naquelas tardes ensolaradas em que o sol entrava pela janela grande e iluminava toda a sala, a alegria tinha seu lugar.
Os cabelos brilhavam ainda mais por causa da energia solar que pelo que consta protegia aquela família.
Observava a facilidade de como a harmonia fluía naquele lugar, ainda ouço as risadas.
Ela comprava uma sombra rosa bebê, uma moça tão paparicada que nenhuma maldade do mundo parecia capaz de atingi-la; era protegida demais para preocupar-se com as mazelas.
Seus desejos eram atendidos sempre. Ela não precisava de Goethe, Sartre, Fernando Pessoa para impressionar; sua magia enfeitiçava mais do que palavras difíceis.
Lembrarei dela em todos os sábados ensolarados, lembrarei dela e de todos os garotos que gostariam de beijá-la, lembrarei da sensação mais deliciosa e viciante que existe: ser uma garota mimada.



domingo, 17 de maio de 2015

Tão comum

Indica um livro que você leu até o fim, um filme.Comente sobre uma exposição de arte, um sarau literário.
Fale um pouco o que achou de uma reportagem, um documentário.
O ballet do Bolshoi, os grandes diretores e roteiristas.
É preciso urgentemente sair dessa superficialidade, não seja mais um.
Assim, tão comum.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sorriso !

O tempo era leve, tinha encanto e as horas gostavam de nós.
As horas tinham um certo afeto ao nosso olhar de criança, as horas eram cúmplices das nossas brincadeiras nas tardes bonitas.
Adormecer com os cantos dos pássaros, os latidos dos cães dos vizinhos, o barulho da oficina perto de casa, o cheiro das minhas plantinhas. Eu sabia que a vida acontecia, que os adultos tinham deveres, mas achava que tudo era bem tranquilo e que ninguém vivia agoniado; então eu suspirava fundo e adormecia.
Era de uma pureza, uma inocência bela e acreditava que todas as pessoas no final viravam estrelas de cinema. Não havia sofrimento no meu mundo infantil.
Achava que cheque era dinheiro e que minha mãe era rica porque tinha um monte de folhas em branco e poderia escrever o valor que bem entendesse.
Todas as noites de sábado eu dormia acreditando que os Domingos eram iguais aos comerciais de creme dental, em que as pessoas pulavam felizes na piscina ou mar e se abraçavam sorrindo (Sorriso !)
Adulta, aprendi que o mundo não é o comercial de creme dental e que sempre sentirei saudades das tardes suaves.
Eu achava que o mundo era feito de paz porque até hoje encontro paz na simplicidade. Doce inocência, doce sorriso.


sábado, 2 de maio de 2015

Um certo afeto - esperança

Eu sou mais poesia do que confronto,mais risada que baixo astral.
Posso doer inteira,mas carrego um desejo enorme de não causar danos.
Eu não sou mulher que lamenta,não sei perder.
Sei me livrar sem culpa,sem afeto.E sei ter afeto até não caber mais no peito.
Nunca me importei com rótulos,eu me importo com minha paz de espírito,de resto eu deixo as pedras rolarem.
Vivo mais reservada do que exposta; ando pela vida camuflada de esperança e raciocínio lógico.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Incredulidade

Eu não encontro outra forma de olhar para esse mundo que transborda prédios, indústrias, corredores, restaurantes granfinos, shoppings e mesmo assim é incapaz de me confortar quando fico confusa questionando todos os amores que vão embora como um trem bala.
Amores platônicos, amores de um olhar na fila do supermercado, amores que aconteceram e foram intensos.
Nas ruas congestionadas, nos elevadores, nas farmácias, boates, feiras, sempre haverá um olhar de desejo, um flerte ou um esbarrão em que o mundo para, e nós com essa velha e doce inocência acreditamos em encontros amorosos iguais a roteiros de cinema.
Roteiros maravilhosamente escritos e dirigidos, mas nesta vida absurdamente real, as cenas de romances ficam cada vez mais frias e meu cérebro elabora muitas perguntas sobre os relacionamentos e as pessoas.
Quando o céu fica cinza e as blusas de lã são retiradas das gavetas; também lembro de como seria perfeito romances no inverno e príncipes que vivem nas páginas dos livros de capa dura.
Então a reflexão fica mais intensa, porque inverno tem fim, a calmaria também, e eu pouco acredito em felicidade - casa de boneca. Logo surgem outras inquietudes que consomem minhas energias,palavras e certamente esqueço o roteiro perfeito.
Sempre que vejo um amor começando, já imagino e sofro com o fim.
Incredulidade de escritor.

terça-feira, 31 de março de 2015

Abraço


Eu queria ser trapezista e ir embora com o circo.
Eu queria era abraçar o mundo. Eu ainda quero abraçá-lo, só que agora disfarço melhor.
Gosto quando o vento da manhã encosta suave nos meus cabelos molhados.
Gosto de olhar pela janela e ver as lojas.
Gosto de ver a vida amanhecendo, as pessoas e seus trajetos.
Abraço o mundo observando.
Abraço o mundo quando danço.
Abraço o mundo quando interpreto.
O mundo me abraça quando estou no palco.
O mundo me abraça quando escrevo.


[ Setembro 2011 ]