domingo, 17 de abril de 2016

Domingo Histórico

Dizem que será um Domingo histórico, gostaria que fosse um Domingo com o início de uma grande e eficiente reforma política.
Uma política para todos, sem essa briga de partidos, um ódio gratuito que mais parece a velha rivalidade de Flamengo e Fluminense.
Não quero Aécio, Cunha, Bolsonaro. Conservadorismo, ditadura, briga de classes ( tão óbvia pelo menos aqui em Ribeirão Preto ).
Causar ódio e briga é o primeiro passo para deixar as pessoas emocionadas, e gente emocionada não raciocina. Nem a tal direita nem a tal esquerda.
Queremos um País melhor, com políticos honestos ( existe honestidade quando chega-se ao poder ? ).
Ainda estamos longe de um pensamento igualitário com os mesmos interesses: viver com dignidade.
Este até pode ser considerado um texto apartidário, mas eu como escritora classifico como reflexivo.
Os preços dos alimentos estão exorbitantes, e quem compra livros ou consome cultura quando moradia e alimentação compromete a renda do trabalhador ? O preço do combustível um absurdo.
Você pode dizer: Juliana, eu não vejo assim. Respondo: Então vá ao primeiro posto de combustível e pede pra completar o tanque do meu carro, que conversamos depois.
No início do texto mencionei uma reforma política porque todos os partidos são SIM, corruptos. Uns menos, outros mais.
Neste Domingo tenho um Job, não acompanharei a votação já que considero uma imensa hipocrisia: ali ninguém tem moral pra falar de ninguém.
Obs: Eu já estou é de saco cheio !!!

terça-feira, 12 de abril de 2016

Você precisa pertencer


Intrigado, ele perguntou novamente: - Mas se você não é católica, espírita, evangélica. Você é o quê? Você tem mágoa de Deus?
Você não é casada? E filhos?
Nessas horas eu respiro fundo, penso e penso novamente antes de responder para não ser a grossa que estraga a fé alheia, como se fosse muito bonito ficar perguntando sobre religião para uma pessoa que está conversando pela primeira vez numa mesa de bar com mais cinco pessoas.
Colega, então existe a obrigação de pertencer a uma religião.  Mas quem é esse Deus que você tanto fala? Cada religião tem o seu Deus, me deixa ter o meu, aliás, acredito em muitos, sou plural.
Os rótulos, a culpa, o medo do pecado eu deixo pra você; deixo também o casamento infeliz, mulher ligando enquanto você quer me beijar. Isso não é coisa de “Deus”. Religião muitas vezes é uma estratégia de marketing bem burrinha para que a pessoa possa se esconder atrás dela.
E digo mais, que limitação mental é essa? O corpo é um templo, seja o SEU Deus. Abrace uma árvore, faça uma meditação, converse com o céu estrelado, mas, por favor: liberte-se!
 Deus expulsou Adão e Eva do paraíso e nessa confusão você também foi.
O mundo está saturado de gente que faz muita pergunta, mas não sabe nada sobre si.


Obs: Eu poderia muito bem construir um texto com argumentações filosóficas e tal, não quero. Deixo assim: direto, cru.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Joy: O nome do sucesso

Finalmente fui ao cinema assistir"  Joy: O nome do sucesso " em algumas cenas lembrei de Jennifer Lawrence no filme Inverno da Alma que recomendo fortemente.
É um roteiro que te toca de alguma forma, te faz lembrar de algo, alguém e você pensa: " já passei por isso, já me senti assim ".
É lindo e brilhante quando a ponta do iceberg é só sucesso, é um trabalho exaustivo e de muita persistência até que alguém de alguma forma acredite na sua ideia, no seu potencial. É gratidão que eu sinto quando isso acontece.
Naquela sala de cinema as emoções e questionamentos infinitos sobre a vida foram intensas, o que só reforçou algo em que eu acredito muito: a capacidade de resistir.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Você irá esquecê-lo

Você irá esquecê-lo e será tão natural que nem precisará de esforço.
Vida é movimento, você sabe disso. Somos uma eterna metamorfose e ninguém fica muito tempo regando planta que já morreu, sorrindo para quem fechou a cara, gostando de quem nunca se importou com isso.
É por isso que afirmo que irá esquecê-lo porque é o fluxo natural da vida, tudo é troca.
Aos poucos conseguirá olhar tudo com certo “distanciamento da obra” e a partir desse momento analisando por etapas conseguirá organizar na sua mente o começo, meio e fim.
Talvez não tenha fim porque nunca começou. Ou tenha fim depois que a sua razão empurrar a emoção e mostrar a realidade dos fatos.
Você irá esquecê-lo porque tem muita gente bonita por aí também, muitos filmes, viagens, sonhos e perfumes.
Você irá esquecê-lo porque acredito que nem exista mais tanta intensidade ao lembrar.
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sábado, 9 de janeiro de 2016

Caro Senhor

Caro Senhor, sou uma escritora.
Invento, sou vento.
Caro Senhor, sou atriz.
Personagem, miragem.
Caro Senhor, sou ficção.
Crio vidas, morro em vida.
Caro Senhor, desculpe desapontá-lo.
Confundir é o meu espetáculo
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Foto: Impressione Books & Fotos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Ainda bem que a arte me salva




Naquela mesa, daquele restaurante chiquérrimo, eu te olhava gesticulando e falando de como o dinheiro é importante, que o dinheiro compra tudo.
Eu sou uma artista e consequentemente não sou uma alienada; sei que o dinheiro compra e resolve muitas coisas, adoro ter dinheiro. Mas enquanto você falava percebi que não era mais você que dominava o querer, o ter, o exibir. Era o dinheiro que te escravizava nitidamente e ainda escraviza.
O ambiente refinado ficou pesado pra mim, eu continuava me sentindo sozinha mesmo com todos aqueles garçons à minha disposição, sorrindo forçadamente porque é assim que funciona quando você está num lugar que rola muita grana.
E as amizades também são forçadas porque precisa ter grana para andar com aquelas pessoas que você julga muito importante, mas que na verdade estão perdidas, tristes e sem afeto por você – elas querem (PRECISAM) de aceitação e por isso falam sem parar do relógio importado, o carro do ano, do terno cujo valor eu lançaria uns dois livros independentes (viu como eu sei como utilizar o dinheiro também?).
Fiquei estática, reflexiva, confusa e pensava que de fato tinha algo errado comigo porque eu não tenho essa necessidade de exibição material, sou extremamente discreta e acho cafona demais.
O tempo passou depois daquela noite tenebrosa, e aos poucos eu fui montando um quebra cabeça simples, vi que não existe nada de errado com meu jeito de ver e VIVER a vida. E tive a oportunidade de voltar em outro restaurante, agora sim com gente IMPORTANTE, mas que me deixaram tão à vontade, que me fizeram rir e foi ali que percebi o que é finesse.
O dinheiro pode comprar muitas coisas, mas nunca irá comprar o carinho de uma pessoa, o afeto, a amizade.
O dinheiro pode comprar muitas coisas, mas NUNCA comprará um protagonista, um leitor que te recebe em casa, uma amiga que vai te acompanhar numa palestra lotada para estudantes numa Faculdade durante uma Feira de Profissões porque você está nervosa e com medo e essa mesma amiga diz: " não desce do carro, eu vou ver com o segurança se tem um lugar melhor pra você estacionar ".
O dinheiro pode comprar muitas coisas, mas nunca comprará a amizade de uma pessoa que sai da casa dela para ir almoçar com você no shopping porque está a passeio na cidade dela ou uma amiga que sempre te convida para almoçar porque, sei lá, gosta de conversar com você. Ou numa sexta-feira ser convidada pelo seu amigo-diretor de teatro para assistir filmes que foram exibidos em Cannes e se você não for rola barraco porque é amizade louca.
Não compra a lealdade de amigas (os) que mesmo sob um sol de 40°C vão te prestigiar numa mesa redonda e ficam conversando que até estourar o horário.
O dinheiro pode comprar muitas coisas, mas eu te garanto que nunca comprará TALENTO, AFETO, CARISMA E BELEZA (algo como VÊNUS).




sábado, 5 de dezembro de 2015

Lacunas

Ao ler sobre o falecimento de Marília Pêra, lembrei que interpretou Coco Chanel no teatro com o texto da Maria Adelaide Amaral, cujo livro do monólogo dormiu ao meu lado com outro livro, só que de ficção.
Eu ficava e fico relendo as falas e pensando como Marília interpretava, as nuances, os silêncios, o entendimento do texto e a complexidade de Coco Chanel.
Um grande talento foi embora e me deixa triste. Mas também fico triste porque poucos talentos surgem para suprir as lacunas que essas grandes atrizes deixam.
Eu gosto dessa gente que vem do teatro, do palco, dos ensaios exaustivos, do ódio que sentem do diretor, do amor que sentem pelo diretor, do estudo, da entrega. Vejo pouco, vejo quase nada. O que vejo são pessoas pisando no palco sem leveza ( sim, precisa ter leveza ao pisar no sagrado ), o que vejo não me agrada, o que vejo não é teatro e nunca será.
Vi poucos atrizes e atores em cena com o subtexto martelando em sua emoção controlada; mas também vi consciência da totalidade da peça num olhar fixo, vi composição de personagem e muita desconstrução para colocar-se diante de uma platéia com todo o respeito que merecem.
Fernanda Montenegro disse numa entrevista que existem artistas, mas atores são poucos.
Eu que amo o drama, amava ver Marília em Pé na Cova. Sim, eu gosto da redação final do Miguel.
Sentirei saudades.